A necessidade de um novo olhar para a mulher, hoje!

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Às vezes só o tempo para mostrar o quanto pisamos feio na bola com determinados grupos, muitas vezes até com o aval das patentes intelectuais de cada tempo, um exemplo? Então, pense na homossexualidade, que décadas atrás era entendida como doença por ciências como a psiquiatria, psicopatologia e psicologia.

Você já parou para pensar sobre as exigências ou sutis imposições sociais ao qual uma mulher geralmente em nossa cultura enfrenta se comparadas as dos homens? Não é fácil ser homem, isto eu afirmo, mas tal apontamento seria assunto para outro texto.

Minha questão é a seguinte: Culturalmente as necessidades ou exigências de uma mulher se sentir valorizadas socialmente como é? Seria uma ingenuidade grande se você argumentasse com coisas do tipo: “Ah! Mas mulher é assim mesmo ou, só podia ser mulher, elas escolhem ser assim, como são. “ Não gente, você não tem ideia do poder de uma cultura sobre nossas ações, pois cultura é como uma atmosfera, ela nos envolve e às vezes sem pensarmos somos absorvidos por ela.

Como nossa cultura trata as mulheres? Como as mulheres se tratam?

Agora quero que você pense um pouco, nossa cultura se alicerça sobre bases masculinas por séculos, se não estiver enganado o primeiro nome de uma mulher na filosofia é de Edith Stein, morta em Auschwiitz em 1942.

Hoje temos diretoras de novela, cinema, filósofas, estilistas, cientistas, mas parecemos ainda trazer ranços de uma história que, no período bíblico, por exemplo, ao narrar uma história o texto se referia: “Tantos homens, fora mulheres e crianças” aquela cultura não considerava como cidadã uma mulher.

Ao longo da história poderíamos citar outras coisas como direito a voto, em fim, o que apontei até aqui foi para refletir que: Somos reflexo de uma cultura que por ignorância ou má intenção, não soube ver ou valorizar a mulher como homens foram valorizados.

È claro que estou falando de um contexto burguês, branco Europeu, seguido de descendências miscigenadas, mas a questão é que independente da posição social ou cor da pele, mulheres, historicamente, foram desprivilegiadas de algum modo, assim como negros, gays, esta é nossa história, pelo menos a história conhecida, mas as coisas não precisam continuar sendo da mesma maneira. Como começamos a mudança? A resposta é em um novo pensar, novo agir.

Aqui eu poderia dizer que é um absurdo muitas mulheres se odiarem, competirem, falarem mal umas as outras, ou sutilmente se odiarem como muito vi em minhas vivências, filmes, novelas, músicas, lembre-se dos termos: galinha, vaca, puta, biscate e tantos outros, sempre buscando desvalorizá-las socialmente, lembrando que a profissional do sexo, talvez mais do que todas as mulheres, é moralmente repudiada, enquanto que aquele que usufrui de seus serviços não.

Se as mulheres se odeiam, talvez, seja por muitas não terem sido ensinadas ou estimuladas a se respeitarem em suas diferenças e a culpa não é das mulheres creio eu, talvez nem seja apenas dos homens, estamos falando de cultura e a cultura nos envolve nos leva a atmosferas, ora boas, ora ruins e só depois de um tempo percebemos como nela estamos e podemos mudar direcionamentos.

Vamos então pensar desde já, como vemos e tratamos as mulheres em nossa cultura, ou melhor, no nosso dia a dia, será que você não tem odiado, competido ou se sentido incomodada por alguém simplesmente por esta pessoa ser uma mulher?

De um tempo para cá, fazendo uma leitura mais crítica de filmes, reality shows, novelas, experiências profissionais (atendimentos clínicos e sociais) de amizade, relacionamentos amorosos, percebo o quanto parece ser difícil ser mulher, quanta carga, quanta culpa.

Quão difícil é ter que a todo o momento reafirmar competência, segurança, credibilidade ou coisas do tipo, enquanto homens na maioria das vezes levam de modo mais tranquilo, leve, seguros a pressão social, isto sem falar das mulheres da periferia onde muitas sustentam casas, filhos e ainda são culpadas de terem parceiros com problemas sérios com álcool e outras drogas.

Não sendo inocente, nas classes altas, tal dificuldade talvez não mude, pois manter as aparências em classes mais abastarda torna-se sempre necessário.

A valorização da mulher, antes de ser uma questão de gênero é uma questão de humanidade, de cultura, de olhar para a sua semelhante e entender que a pessoa que você vê a sua frente, antes de qualquer coisa, é alguém como você, como eu, ao qual a dignidade também lhe é um direito, independente de gênero.

O mundo de um novo olhar e postura à mulher começa dentro de cada um que assim acreditar em tal posicionamento, hoje colhemos o que no passado nos ensinaram, nos deixaram, porém, como temos construído a história ao qual vivemos e que nossos sucessores viverão? Teremos coisas boas para contar?  

 

 

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About Author

GABRIEL JUSTINO

Especialista em psicologia clínica fenomenológico existencial e psicólogo social comunitário na cidade de Bauru-SP. Apaixonado por: música, cinema , literatura, pensar, família, amigos, além de ser um curioso em filosofia entendendo a vida como uma contraditória e bela poesia.

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