Ele é o cara! Será?

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“Meninas! Conheci um cara, ele é incrível, partidão, bem macho, chama atenção da geral! Nem sei como ele me escolheu porque é o típico cara que todas as mulheres querem; Mega experiente, deu trabalho pra conquistar, hein? Não queria nada com nada não…”

Quem já ouviu esse papo e sentiu inveja da amiga? Ou ainda, quem já viveu isso? É meninas, esse texto é sobre O CARA.

Afinal de contas, quem é esse cara? O que manda bem geral com a mulherada? Sou das antigas, confesso: a mistura do Jorge Tadeu e do Pescador Parrudo?Ou ainda o Gaston, da Bela e a Fera, que derretia mocinhas indefesas com seu jeito rústico e viril?

Esse é o cara que te ensinaram a gostar e a querer. Bem vinda. Ele está presente em todas as propagandas, com seu olhar sedutor e na postura de pegador. Esse cara, faz com que se movimente toda uma indústria de produtos: desde vendas de cosméticos, tratamentos para calvície, academia, perfumes, carros importados. Ele vende álbuns e álbuns entoando hinos como: “99% anjo mas tem aquele 1% vagabundo”, dentre todas as outras pérolas que definem o atraente como o cara que não quer compromisso, o safadão.

E o que acontece quando nossa referência é esse cara? Um emaranhado de contingências. Do lado feminino, ocorre de muitas mulheres solteiras terem uma atitude competitiva em relação às outras, como se fosse um prêmio ter uma pessoa sedutora e desejada por outras mulheres do seu lado. É o cara-desafio!Certamente você já conheceu alguma mulher que precisa desesperadamente conquistar aquele rapazinho bonitão e solteiro convicto que sempre diz não querer nada sério, não é?

Os caras que não são nesse perfil, podem ficar na boa e velha friendzone, não havendo interesse em investimento em quem não encha os olhos da concorrência, não estou falando de aparência e sim de atitude.

Esses caras, se tornam a legião de bonzinhos. Ah, os bonzinhos, como seria importante algumas das mulheres que conhecemos afinarem suas possibilidades afetivas para esses caras que não se identificam com essa proposta pronta e padrão midiática.

Do lado masculino, permanece o modelo e ele continua vendendo, apesar de mudar a modelagem de tempos em tempos: o hipster moderninho, maromba de academia, lutador. Dentre todos os estereótipos, homens que não estão disponíveis para relacionamentos, são ovacionados por seus amigos e familiares. Quem nunca ouviu sobre algum quarentão boa-pinta o seguinte comentário: “fulano? Ah fulano que é esperto! Nunca vai se casar!” – normal, né?

Percebe como falamos do bonzinho? Como já há um descrédito? Um “inho”? O bonzinho, ao contrário do pegador, é aquele cara que não necessariamente conhece e se deixa levar pelo esquema da sedução, de ter todas as mulheres aos seus pés, por não ter a malícia ou por simplesmente não se identificar. Eles se apaixonam rapidamente, correm atrás, demonstram afeto, ligam já no dia seguinte, no outro, no outro. Muitas vezes o bonzinho é sensível, por vezes não se expõe em público, podem ser tímidos e não conversar com todos os seus amigos na primeira vez. Ás vezes o bonzinho está maquiado de melhor amigo, de irmão da amiga, do vizinho que conhece desde criança. Ele é o cara que aprendemos a não gostar. Para quem procura Gaston, não enche os olhos quem não faz questão de chamar atenção.

E aí? Será que estamos afinadas enquanto mulheres a fazer buscas afetivas dentro do que faz sentido pra gente? Dentro do que é valor pessoal e está de encontro com nossa história de vida? Já vi, inúmeras mulheres caírem no conto do cara ideal, quebrarem a cara, por não dar conta de ter relacionamentos com esse perfil. Por sofrer de insegurança ou perder anos da vida investindo em namoros vazios. Para essas mulheres, será que o seu ideal de parceiro, é o parceiro ideal pra você?

Para as mulheres que estão nesse movimento, pode ser interessante um olhar pra dentro antes de sua próxima investida afetiva. Uma dica: Ao conhecer alguém, é sempre bom lembrar do que não fez sentido em suas investidas anteriores. Às vezes é mais fácil saber o que não se quer, do que o que se quer de um relacionamento. Dessa forma, você consegue ler sinais e não cair de novo em uma roubada. Se seu último relacionamento, foi o cara sedutor e foi doloroso, será que não é hora de investir em outros modelos? Será que o bonzinho é meloso, ou você pode estar acostumada a sempre ter que correr atrás?

O que é fato, é que o ideal é subjetivo e totalmente pessoal. Enquanto não tivermos clareza de quem somos e do que queremos, podemos continuar dispostas a cair nas ciladas do mocinho da revista. Não me entendam mal, os bonitões, solteiros e descolados.Tem espaço para todo mundo! Muitas mulheres sabem do jogo da sedução e lidam bem com O CARA. Sugiro uma ampliação das possibilidades dessa figura icônica: O CARA pode ser bonzinho, viu? E estar mais perto do que você imagina. Que tal um novo olhar sobre o outro e sobre você mesma?

 

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About Author

Thaiz Menezes

Psicóloga sistêmica, é profundamente curiosa pelas dinâmicas das relações afetivas, familiares e profissionais. Apaixonada por cinema e música, entende que uma dose de empatia pode salvar qualquer relacionamento.

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