Assumindo vários papéis sociais, como ter uma vida mais leve?

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Agenda lotada, compromissos e mais compromissos, seja no emprego, na família, fins de semana em curtição daqueles com amigos, aquela dedicação total as redes virtuais, em fim, nutrir-se dos papéis sociais e suas demandas em nosso tempo parece ser fundamental a grande maioria das pessoas, como por exemplo, uma indicação para um emprego ou para aquela ajuda na busca do parceiro ou parceira amorosa e isto não é novidade a ninguém.

Mas em meio a tantos compromissos da vida moderna, por mais prazerosos que sejam os nossos papéis sociais, a possibilidade de afogar-se a mares de estresses e ansiedades parece um algo eminente a qualquer hora, ao qual, energias e mais energias empreendidas a tantas funções levarem embora a possibilidade de uma vida mais leve e harmoniosa.

Viver em sociedade dentre tantas coisas, demanda atenção, investimento, energia e energias são limitadas. Então, como administrar tais demandas sendo os seres que somos movidos por necessidades tão singulares e contraditórias em nossos papéis sociais.

É, em meio a sentimentos, emoções e energias vividas, algo parece piorar a situação ainda mais, pois não se pode ser de qualquer maneira, é necessário ser boa, bom, é preciso ser a melhor, disciplinada, cheio de energia sempre, criativa, acolhedora, ser isto, ser aquilo, aquilo lá também, respire fundo, estamos apenas começando.

Você tem que trabalhar, se qualificar, ter um diferencial no mercado, “péra aí”, um é pouco, três diferenciais no mínimo, mas tem que administrar a imagem na web, aí, aí, aí, aí os grupos do whats, facebook também, tem o instagram, mais as contas da casa, a família conturbada do  melhor amigo, o cachorro, a gata, bom acho que é só isso!

Como eu poderia esquecer, e o corpo, o corpo não, o cuidado com o corpo, pois está totalmente ligado a saúde, aliás, você tem que cuidar da sua mente também, nunca ouviu o ditado, “corpo são mente sã”.

Dar conta de tudo, ser a ou o melhor em tudo é possível? Às vezes não parece, mas somos seres limitados e em meio a necessidades diversas será realmente necessário fazer tudo ao mesmo tempo e espaço assim como manuseamos e-mail, sites de busca, you tube e spotify?

Ainda que as telas de nossos computadores ou os touche de celulares nos digam que a “vida real” também é assim, não se iluda, não é possível fazer tudo e ser tudo ao mesmo tempo, não é possível ser bom em todos os papéis, principalmente quando todos são colocados como prioridades.

Quando vejo falas de psicólogos, psiquiatras e especialistas falarem sobre ansiedade e estresse, na maioria das vezes eu penso, por que isolamos indivíduos de contextos? Defendo a tese que tais fenômenos deveriam pensados e trabalhados a partir de nossa cultura, louca por prazos, metas, objetividades, eficiências acima de tudo, e não necessariamente tem relação com trabalho, mas ritmo de vida, quer um exemplo simples?

As crianças e a moça teen hoje em dia parecem seguir o mesmo ritmo que o nosso, e o que se faz depois é medicar, bater, dar broncas ou jogar para uma psicóloga resolver a bucha e se ela chamar a família para atendimentos troca-se de profissional, onde já se viu, tem que resolver problemas, não gerar mais problemas. Já não basta os tantos outros papéis sócias da vida adulta e suas demandas. Ser humano, é ser social, ser cultural e cultura é sistema, mútua afetação.

Responda-me, por favor! Acredito não estas enlouquecendo sozinho certo? Existe gente normal lendo este texto? Vocês são limitadas e limitados como eu a ponto de não fazer tudo perfeito, esquecer às vezes de coisas importantes, e não ver isso como uma muleta para incompetência ou coisas do tipo, mas apenas o deparar-se com a limitação humana frente a grandes demandas cotidianas?  Uma pessoa aí a levantar a mão?

Em meio a tantos papéis sociais, será que categorias como estresses, ansiedades, depressão, culpa, medo, insegurança e tantas outras, não estejam arraigadas por um sedutor desejo de abraçar o mundo e enterrar-se a si em coisas, pessoas, situações que não necessariamente deveriam ser prioridades ou dignas de tantas energias investidas?

É necessário realmente resolver tanta coisa importante hoje? Será que não existe ninguém mais além de mim precisando organizar melhor a vida, administrar melhor o tempo e examinar se o entendido por importante é realmente mesmo?

Na escala de prioridades o que dá para deixar para amanhã, para o próximo mês, para uma próxima oportunidade ou para descartar, para se ter um tempo a fazer algo que minha gatinha ama, sabe o que é?

Não fazer nada, e só curti uma soneca em braços humanos, descansar sob afetos positivos, como que um convite: “ Descanse, guarde energias, relaxe, ou você vai apenas entender a necessidade disso  quando um surto de ansiedade ou coisa do tipo vier te visitar e você concluir que deveria ter levado uma vida mais leve?”

O que é hoje em meio a tantos papéis sociais, levar uma vida mais leve para você?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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About Author

GABRIEL JUSTINO

Especialista em psicologia clínica fenomenológico existencial e psicólogo social comunitário na cidade de Bauru-SP. Apaixonado por: música, cinema , literatura, pensar, família, amigos, além de ser um curioso em filosofia entendendo a vida como uma contraditória e bela poesia.

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