Qualidade de vida é uma vida de qualidade nas  relações.

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É sabido que alimentos e remédios existem para cumprir com certas necessidades, certo? Porém, como cada organismo é um, não observar as contra indicações e peculiaridades de cada pessoa ou não saber sobre elas pode gerar transtornos inúmeros a saúde e ao bem estar.

Vamos ser honestos, não precisa esconder, com toda certeza você já passou por incômodos deste tipo. É… aqueles trágicos ou cômicos efeitos colaterais, desde coisas sérias prejudicando o organismo ou aqueles “puns” e bocejos em horas impróprias, vômitos, dores malditas de barriga e de cabeça, ou àquele remédio indicado pela sua amiga(o), que para ela(e) funcionou em dois minutos como uma fórmula mágica  e para você não resolveu nada.

É! São inúmeras as variáveis da relação alimento/ remédio e bem estar, não é mesmo? Agora, vamos pensar em um outro tipo de bem estar: o da alma (existencial)¹! Este, acontece junto ao mundo, no relacionamento com as pessoas, afinal, relações humanas nos definem e evidenciam o bom e mal que experimentamos na vida.

Mas Aí, talvez você se pergunte: “- Como as relações influenciam ou “determinam” a forma como lido com a minha vida? Eu sou uma pessoa autêntica, que negócio é este, eu me conheço e não me deixo influenciar tão fácil!” Mas a questão é o seguinte: ninguém está preso em si, impenetrável, é claro, cada um tem características peculiares, mas nada disso vem ou se mantém em uma cápsula, fechado ou passível de sempre ser controlado racionalmente.

Todos, somos de uma família de origem, de amizades, comunidades, cultura, de redes de ensinamentos e estas variáveis nos atravessam, nos moldam e nos fazem ser ao longo da vida de um jeito ou de outro, antes mesmo de termos condições de querermos decidir algo.

O fato de sermos pessoas em uma série de relações na vida implica que somos afetados, mas também afetamos o nosso entorno, a questão então é que a qualidade ou não das relações ao qual você e eu vivemos determina o tipo de pessoa que nos tornamos. Você se lembra dos efeitos positivos e negativos dos alimentos e remédios? Então, as relações também cumprem com seus propósitos ou geram efeitos colaterais. Uma dica?E eu acho que você deveria levar a sério esta afirmação.

Se a vida não anda muito legal, talvez seja importante olharmos para nossas relações como um todo e vermos o que temos investido demais ou de menos, quais são as pessoas ao qual nos relacionamos, pois cada relação exige de nós um modo de ser. Vamos pensar, tem sido válido as exigências das relações ao qual você tem vivido?

O tempo presente, ao mesmo tempo em que se abre a possibilidades diversas, parece nutrir-se de sentimentos e movimentos de ódio, incompreensão e intolerância,  mas em meio a tais questões, qual tem sido, por exemplo, o seu direcionamento de vida amoroso, ele  é coerente com o que você acredita?

Pegadora, monogâmica, poligâmica, relacionamentos abertos, asceta (que se priva do prazer). Qual o seu modo de relacionar-se?  

Independente de qual ou como tem sido o seu direcionamento, a questão é se abrir a compreensão de como ele tem te afetado, (esta é a pergunta de 1 milhão de dólares- aposte nisso) muitas vezes negamos tantas coisas a nós mesmos ao qual demora tempo ou  nunca chega o momento de entender qual roteiro de nossa história e o que isto repercute.

Em meio a tantos direcionamentos possíveis e tantas afetações boas ou ruins do nosso entorno de relações, pessoas melhores ou pessoas buscando ser melhores consigo mesmas e com a vida, parecem ser aquelas capazes de alimentar relações mais satisfatórias.

Aceitar quem se é nas relações e como elas se dão é às vezes doloroso, insuportável e aí está a necessidade de relações nutridoras, que façam bem ao “organismo” da alma, pessoas dispostas a nos acolher, sem julgamentos ou acusações quando nossa cara quebrar mais uma vez, pois isto pode acontecer, somos humanos e ser humano, envolve potencialidades e fragilidades sempre.

As relações chegam de algum modo a nós e nos tocam de diversas maneiras e vão moldando nossas assertividades, fragilidades, medos e confiança ao longo da vida, mas isto nunca é imutável, pode ser trabalhado sempre, assim como nosso organismo faz, muitas vezes expelindo ou ingerindo coisas que contribuam direta ou indiretamente para o nosso bem estar.

Nota: 1 O cuidado com o corpo também se faz presente nesta idéia de bem estar da alma, a divisão é apenas didática, pelo texto se focar nas relações humanas.

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About Author

GABRIEL JUSTINO

Especialista em psicologia clínica fenomenológico existencial e psicólogo social comunitário na cidade de Bauru-SP. Apaixonado por: música, cinema , literatura, pensar, família, amigos, além de ser um curioso em filosofia entendendo a vida como uma contraditória e bela poesia.

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