Sobre confiar: O Ciúmes faz sentido?

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Você é uma pessoa ciumenta? Daquelas que montam uma série pornográfica na cabeça todas as vezes que seu amor vai sair com amigos(as)? Então esse artigo é para você!

A pessoa ciumenta, é uma pessoa que sofre, e sofre muito. O ciúmes toma partidos, ignora fatos e age apoiado na insegurança.  É uma dor terrível perder o controle de si para buscar o controle do outro. Não há paz, não há confiança. Não estou dizendo aqui que todas as pessoas são dignas de confiança. Muitas vezes a vida dá suas voltas e a gente quebra a cara, não é mesmo? Normalmente pessoas muito ciumentas tiveram experiências afetivas em que a confiança foi quebrada, ou tem em geral dificuldades em confiar, por esse ou aquele motivo.

Quando queremos um amor, lá na adolescência, a mídia, as músicas, os filmes nos apresentam o conceito de alma gêmea..aquele amor perfeito, e irreal. Isso fica tão intrínseco em nosso inconsciente que buscamos justamente no outro essa completude. E se mudarmos o olhar sobre nossos relacionamentos?

Quando pensamos em almas gêmeas, o contexto das metades que se completam, deixamos de ser inteiros e sim uma estrutura incompleta que precisa necessariamente de uma tampa, outro alguém que lhe liberte da infelicidade de pertencer apenas a si mesmo. Nova proposta: Vamos usar uma fórmula para entender as relações afetivas:  1 + 1 = 3. É você, o outro e a RELAÇÃO entre vocês. A relação por si só, torna-se única. Nenhuma experiência afetiva é exatamente igual a outra, e nós, mudamos um pouco (ou muito) em como nos comportamos em cada relacionamento. Duvida? Lembre exatamente dos motivos das brigas de seus relacionamentos anteriores e sua atitude em relação a elas… são iguais? Acredito que não.

A dificuldade nessa leitura não para em ver a relação como um “ser”. Ainda temos que elaborar o outro como alguém diferente de mim e nesse sentido, o ciúmes pode ser entendido e (tomara!) elaborado de uma forma saudável e gradual. Vamos a um nó mental que vai se resolver rapidinho.

   Você se conhece? Em todas as suas capacidades, habilidades, medos, anseios, emoções e situações? Se você respondeu sim, reflita sobre todas as vezes que você se surpreendeu..aquela facilidade em aprender inglês, como você ficou muito bravo(a) em uma situação não convencional, o que você disse para aquela amiga… mudou um pouco, não é? A delicia de pensar em si mesmo,  é que somos seres em constante mutação e surpreendentes! Agora uma provocação..chegamos a conclusão que você não se conhece tão bem assim, certo? E o seu (a) parceiro (a)? Você conhece?

Nós conhecemos o que o outro nos mostra, e principalmente o que nós “lemos” do que o outro nos mostra, ou seja: Você ama no outro, a projeção que você tem dele.  O que estou querendo demonstrar aqui é a fragilidade das nossas relações, e acredite, não é para te desanimar. Pensando mais amplamente sobre isso, chegamos ao papel da confiança.

Em um relacionamento saudável e feliz, devemos pensar em separar antes de unir, dividindo claramente os sentimentos, gostos e individualidades que pertencem apenas a própria pessoa. Nesse sentido, os nossos sentimentos em relação ao outro pertencem a nós, e não ao outro, certo? Então porque depositamos nossa confiança no outro, em vez de usarmos para nós mesmos?

Em uma relação bacana, a confiança deve ser dada de graça, e medida quando quebrada. O parceiro (a) irá aprontar a sua, se for de sua vontade, independente do seu ciúmes, e independente da marcação serrada. Duvida? Porque você acha que existem promoções em motéis no horário de almoço? Para quem quer, não há local, não há horário, não há marcação que irá segurar.

Agora vamos pensar no seu papel. O que você tem a perder confiando? Quebrar a cara de novo? Pergunte-se o que é melhor.. viver com essa carga imensa que é a desconfiança para sempre, perdendo sua paz, ou talvez quebrar a cara porque a pessoa teve uma atitude que não foi bacana e que você não poderia fazer nada para mudar?

A confiança é altamente sexy. Nada mais interessante que alguém autoconfiante. Vimos, as pessoas da relação, certo? Porque não cuidar de nós mesmos, em vez do outro? É fato: se o outro abusar da confiança, você vai saber hora ou outra..e fica feio pra quem? Para quem optou confiar, ou para quem quebrou a confiança?

 

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About Author

Thaiz Menezes

Psicóloga sistêmica, é profundamente curiosa pelas dinâmicas das relações afetivas, familiares e profissionais. Apaixonada por cinema e música, entende que uma dose de empatia pode salvar qualquer relacionamento.

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